XII Circuito Automobilístico do Rio de Janeiro
Circuito da Gávea
30 de Dezembro de 1953 a 3 de Janeiro de 1954

Fernando Mascarenhas foi o melhor classificado de entre os pilotos portugueses presentes nesta corrida
(Foto: Colecção Jorge Salgado)

O Circuito da Gávea, também conhecido como "Trampolim do Diabo", embora estivesse inicialmente previsto para ser disputado a 27 de Dezembro de 1953, acabou, devido a razões logísticas relacionadas com o desafalgamento dos automóveis participantes, por ser disputada a 3 de Janeiro de 1954.
O designado XIII Grande Prémio Automobilístico do Rio de Janeiro, viu nele participarem três pilotos portugueses, Vasco Sameiro, Fernando Mascarenhas e José Arroyo Nogueira Pinto, que viajaram para o Brasil acompanhados por Manuel Palma, com a função de lhes prestar apoio técnico. Embora inicialmente previsto pelos organizadores brasileiros, Casimiro de Oliveira não chegou a se inscrever, já que esteve na mesma altura a disputar as 12 Horas de Casablanca integrado na equipa Ferrari.
Todos os pilotos portugueses alinharam com modelos 250 MM, Vasco Sameiro com o #0288MM nº19, Fernando Mascarenhas com o #0326MM nº20 e José Nogueira Pinto com o #0330MM nº21.
Ao jornal "O Volante", os pilotos portugueses presentes referiam-se desta forma a esta participação:

Vasco Sameiro:
“Eu estava ansioso para retornar ao Brasil. Os amigos que aqui fiz e as belas corridas que aqui disputei são sempre razões que estão presentes quando surge uma oportunidade de voltar a este grande País”. (...) “Vimos bem preparados, boas máquinas, cremos que estarão entre as melhores e em condições de corresponder. Trouxemos quatro carros mas deliberarmos não nos desfazer de qualquer deles antes das duas competições. Um ficará sempre para ser utilizado em qualquer circunstância. Conheço muitos dos volantes Estrangeiros que vão intervir na prova. Creio que jamais se fez uma corrida tão sensacional no Brasil”. (...) “Dois volantes de mão cheia. Grandes corredores. Experimentados e dos mais capacitados. O público gostará deles, não tenho qualquer dúvida”.

José Nogueira Pinto:
“Já estou encantado com o que estou vendo. Correr na Gávea, confesso, representava um velho sonho que irei viver no dia da grande prova. Conheço alguns Estrangeiros e sei que o Brasil tem notáveis corredores, entre os quais um de cartaz Internacional: Chico Landi. Procurarei fazer o que for possível”. 

Fernando Mascarenhas:
“Sameiro e Nogueira disseram tudo o que seria possível dizer. Subscrevo o pensamento de ambos e confesso, como bem disse Nogueira, que intervir no Circuito da Gávea era um velho sonho que sempre acalentei. Terei o meu grande dia quando alinhar com o meu carro. Acredito que a prova será das mais empolgantes, pois é grande o número de concorrentes e excelente a qualidade. Confiamos plenamente na capacidade das nossas máquinas”.


Na primeira sessão de treinos oficiais, que decorreram ainda em 1953, a 30 de Dezembro, José Nogueira Pinto conseguiu, logo de início, o tempo de 7'38'',0 que lhe dava o melhor tempo. Só algum tempo depois esse tempo foi batido por Emmanuel de Graffenried.
Na grelha de partida, José Nogueira Pinto ficou com o melhor tempo entre os portugueses, e segundo da geral (7'38'',0), Vasco Sameiro fez o 4º tempo (7'.49'',3) e Fernando Mascarenhas o 8º (8'00'',5). A grelha de partida teve 23 automóveis.
A corrida foi disputada num total de 30 voltas (323,310 Km).
Após a partida, e no final da primeira volta, surgia no 4º lugar seguido de perto por Nogueira Pinto. Fernando Mascarenhas passou no 11º lugar.
Um pouco mais tarde, Sameiro e Nogueira Pinto eram já 2º e 3º classificados, com Mascarenhas a ascender à 8ª posição.
Na 9ª volta, José Arroyo Nogueira Pinto, que na 5ª volta tinha ultrapassado Sameiro, ascendendo ao 2º lugar, teve que parar na sua box devido a problemas de saúde que já se haviam manifestado na véspera da corrida. A indisposição levou-o a ter que abandonar a corrida e ser assistido pela equipa média presente no local.
Vasco Sameiro mantinha-se no segundo lugar, apesar de ser perseguido de muito perto pelo Ferrari de Giulio Musitelli. Na 19ªvolta, o piloto italiano consumou a ultrapassagem a Sameiro. Por esta altura começou a cair alguma chuva que tornou o piso algo traiçoeiro. Um espectador que imprudentemente atravessava a pista no momento em que surgia Vasco Sameiro, levou o piloto português a uma manobra de emergência, que o levou a despistar-se e a embater com alguma violência num dos muitos postes que existiam no percurso da corrida. Sameiro sofreu alguns cortes na face, e teve que ser transportado ao hospital.




O estado em que ficou o 250 MM de Vasco Sameiro após o despiste provocado pela imprudência de um espectador.
(Foto: Col. Manuel Taboada)

Fernando Mascarenhas passou a ser então o único dos pilotos portugueses presentes na corrida, e apesar de um contacto com o Ferrari de Jacques Herzet, conseguiu manter o 3º lugar. No entanto, atrás de si surgiu Chico Landi que estava a recuperar terreno depois de ter sofrido um furo na primeira fase da corrida. Mascarenhas não conseguiu resistir ao superior andamento de Landi, e perdeu a possibilidade de se classificar no mais baixo lugar do pódium, no entanto manteve o 4º lugar até final da corrida.

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VII Grande Prémio da Cidade de São Paulo
Circuito de Interlagos
10 de Janeiro

Os mesmos pilotos portugueses que participaram no Circuito da Gávea, alinharam uma semana depois, no VII Grande Prémio Cidade de São Paulo. disputado no Circuito de Interlagos. Ostentaram os mesmo números de corrida.
Esta corrida foi disputada com o piso molhado, num total de 40 voltas (320 Km).
Embora não fosse em absoluto o piloto mais rápido de entre os portugueses presentes, Fernando Mascarenhas conseguiu aqui, fruto da grande regularidade, que era o seu grande trunfo, mais um 4º lugar na corrida. Quer Nogueira Pinto, quer Vasco Sameiro não terminaram a corrida devido a avarias mecânicas, apesar do piloto de Braga ter dado grande réplica a Graffenried e Chico Landi pela vitória.

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II Circuito Cidade de Salvador
São Salvador da Bahia
25 de Janeiro


Depois da disputa do VII Grande Prémio da Cidade de São Paulo, Fernando Mascarenhas e José Arroyo Nogueira Pinto regressaram a Portugal, ficando somente Vasco Sameiro a representar as cores portuguesas.
O circuito tinha um perímetro de cerca de 1,8 Km, e a corrida foi disputada num total de oitenta voltas.
Vasco Sameiro conseguiu terminar a corrida na segunda posição, logo atrás do Ferrari de Chico Landi e na frente dos Ferrari de Arthur de Souza Costa Filho e de Jorge Maia Poucinha. De referir o facto de quer o Ferrari de Sameiro quer o de Souza Costa terem estado equipados com pneus Mabor. No final da corrida, Vasco Sameiro fechou negócio com Francisco Marques para a venda do seu 250 MM #0288MM. Depois de algum tempo no Brasil, Sameiro viajou para Portugal, para logo depois se deslocar a Itália, para em Maranello adquirir um novo Ferrari que utilizaria durante o resto da temporada de 1954.

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Hedemoraloppet
Circuito de Hedemora
21, 22 e 23 de Maio

Casimiro de Oliveira ao volante do Ferrari 375 MM #0366AM

A Ferrari convidou Casimiro de Oliveira a participar numa corrida na Suécia, inicialmente denominada "9 Horas de Hedemora" (posteriormente veria essa duração reduzida para uma hora e dez minutos) ao volante do 375 MM #0366AM. Devido ao acidente sofrido na corrida disputada em Casablanca, o #0366AM foi  reparado em Maranello, tendo sido Mike Hawthorn, que era piloto da Scuderia Ferrari, a efectuar os testes ao #0366AM antes de ser transportado para Estocolmo directamente de Itália.
O Circuito de Hedemora, tinha um traçado de 7 quilómetros e 265 metros, era particularmente estreito, sinuoso e com diversas lombas. Casimiro de Oliveira, como habitualmente fazia, percorreu a pé o circuito para se inteirar de todos os detalhes do traçado, tendo mesmo pedido emprestado o Volvo de Tore Bjustrom (na época o importador Ferrari para a Suécia) para efectuar algumas voltas ao circuito.
Nos treinos, Casimiro conseguiu obter o segundo lugar, logo atrás do HWM Jaguar de George Abecassis,e na frente de outros pilotos de renome na época como François Picard, Duncan Hamilton num Jaguar, que não foi além do oitavo posto. 


O momento da partida, feita ao estilo "Le Mans"

Com um piso ainda húmido, devido a uma chuvada caída durante a manhã, foi dada a partida para a corrida, feita ao estilo de Le Mans, com os pilotos alinhados de um dos lados da pista e os carros do outro. Casimiro de Oliveira não estava habituado a este tipo de largadas, e talvez devido a isso, esqueceu-se de soltar o travão de mão, o motor foi abaixo e acabou por partir na cauda do pelotão.

Casimiro no momento em que transpunha uma das várias lombas que caracterizavam este traçado.


Demonstrando a rapidez e combatividade que sempre o caracterizaram, Casimiro encetou desde logo uma recuperação notável, que o levou logo à 11ª volta ao comando da corrida, quando Abecassis, ao sentir-se pressionado pelo piloto português, teve uma ligeira saída de pista. Foi o único momento de emoção na luta pelo primeiro lugar da corrida, já que a partir dai Casimiro não seria mais incomodado e venceu, terminando as 25 voltas ao circuito 

Logo após terminar a corrida, Casimiro de Oliveira fumou o seu habitual cigarro, e festejou com alguns mecânicos da Ferrari a sua extraordinária vitória.


No final da corrida, Casimiro dirigiu-se a Maranello, onde se encontrou com alguns membros da equipa Ferrari, enquanto o #0366AM foi embarcado directamente para Portugal, onde disputaria a 27 de Junho o I Grande Prémio do Porto no Circuito da Boavista.

1º - Casimiro de Oliveira - Ferrari 375 MM - 25 Voltas (181,625 Km), 1h 10' 30'', 09 a média de 154, 500 Km/h.
Volta mais rápida da corrida com um tempo de 2' 42'', 05 à média de 161, 654 Km/h


Fotos retiradas de um filme da época do arquivo Filmarkivet.


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Grande Prémio de Tanger
5 e 6 de Junho


Depois das corridas que efectuaram no Brasil, Fernando Mascarenhas e José Arroyo Nogueira Pinto rumaram a Marrocos para disputarem o Grande Prémio de Tanger.
O circuito tinha uma extensão de 2170 metros.
Nogueira Pinto ao volante do 250 MM #0332MM conseguiu fazer a volta mais rápida no treinos (1.03'').
Na corrida, os dois pilotos portugueses fizeram uma soberba exibição, tendo Nogueira Pinto dominado a corrida da primeira à última volta, e Fernando Mascarenhas, no 250 MM #0326MM, terminado no segundo lugar, depois de ter que efectuar uma recuperação depois de ter parado (na 3ª volta) na sua box para substituir uma roda do seu 250 MM. Com esta paragem perdeu quatro voltas, mas conseguiu mesmo assim ultrapassar todos os concorrentes à sua frente, com excepção de Nogueira Pinto. Este venceu, cumprindo as 45 voltas em 55'54'',2 à média de 105,781 Km/h. Na terceira posição terminou Yves Georges de Tudert, com um veterano Delahaye 135MS.

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V Circuito Internacional do Porto
I Grande Prémio do Porto
26 e 27 de Junho 


O V Circuito Internacional do Porto de 1954 foi disputado no Circuito da Boavista a 27 de Junho e incluía uma corrida - o “1º Grande Prémio do Porto” - que contou com uma boa lista de inscritos. Destacava-se a presença da equipa oficial da Lancia, constituída por Ascari, Villoresi e Castelotti, que dispunham do novo Lancia D24 equipado com um motor de 6 cilindros em V de 3,3 litros.
A oposição à equipa oficial da Lancia vinha de um conjunto heterogéneo de automóveis, de entre os quais ressaltavam os Ferrari inscritos quer por pilotos nacionais quer estrangeiros; entre os portugueses, para além de Casimiro de Oliveira com o seu 375MM, com que havia ganho há cerca de um mês o Grande Prémio de Hedemora, estavam inscritos os habituais pilotos portugueses fiéis à marca do Cavallino Rampante: Vasco Sameiro com um 735S, Nogueira Pinto e Fernando Mascarenhas em 250MM (na foto acima). A eles se juntaram os brasileiros Francisco Marques em 250MM e Mário Valentim com um 166MM/53 equipado com um motor de 3 litros. Embora inscrito, Sérgio Bernardes não participou ao volante do seu 225S #0180ET. Recorde-se que o IV Circuito Internacional do Porto (III Grande Prémio de Portugal) disputado em 1953 fora ganho por Nogueira Pinto num Ferrari 250MM, e os sete primeiros classificados pilotaram todos eles automóveis Ferrari. Uma demonstração que consolidou o prestígio da marca entre os melhores pilotos portugueses. O Francês Louis Rosier estava inscrito com um curioso Ferrari 375 GP azul, que era o fórmula 1 que Rosier tinha utilizado em provas desta categoria, mas que foi transformado por Sergio Scaglietti num automóvel de Sport com posto de pilotagem central.
De destacar ainda, entre os inscritos, Duncan Hamilton num Jaguar C, Peter Whitehead num Cooper Jaguar, Gerge Abecassis num HWM Jaguar e Charles Pozzi, o futuro importador da Ferrari para França, num Talbot.
Se os Lancia dominaram a prova (recorde-se que a Lancia venceu, neste ano de 1954, com o D24 pilotado por Alberto Ascari, as Mil Milhas, tendo no final do ano a Ferrari vencido o Mundial de Marcas, derrotando a rival de Turim), Casimiro de Oliveira conseguiu nos treinos uma prestação fabulosa imiscuindo-se entre os Lancia oficiais com o 3º tempo, o que lhe dava um lugar na 1ª fila da grelha, à frente de Villoresi (piloto que viria a vencer a prova). 


Casimiro de Oliveira era um dos clientes mais fiéis da Ferrari na época, e não hesitou em comprar um 375 MM em finais de 1953. O chassis #0366AM, que Casimiro de Oliveira utilizou no Grande Prémio do Porto de 1954, iniciou a sua carreira desportiva nos finais de 1953, a 20 de Dezembro, nas 12 Horas de Casablanca. Casimiro fez parte da equipa oficial da Ferrari destacada para essa prova, com Alberto Ascari, e tinha o nº1 nas portas. Um acidente de Casimiro durante os treinos deixou este automóvel inutilizável para a corrida. Nesta 1ª prova com o Ferrari 375 MM, Casimiro começou a aperceber-se das exigências de pilotagem deste automóvel.


No I Grande Prémio do Porto, Casimiro de Oliveira conseguiu a proeza de se imiscuir entre os pilotos da equipa oficial da Lancia, conseguindo efectuar o 3º lugar da grelha de partida, à frente de Villoresi, piloto que viria a vencer a prova. Casimiro conseguiu, enquanto esteve em prova, ser o melhor «não Lancia», rodando sistematicamente no 4º lugar. No entanto, teve que abandonar a prova devido a uma avaria mecânica motivada por sobreaquecimento, completando 22 das 45 voltas previstas.
A sua volta mais rápida na corrida aconteceu na 21ª volta, com um tempo de 3'.02'',11 (a 4ª mais rápida). De recordar que no ano anterior, Casimiro, ao volante do 250MM #0330MM, conseguira a volta mais rápida da corrida com um tempo de 3'.04'',84. 

Vasco Sameiro utilizou nesta prova, bem como ao longo de todo o ano de 1954, o Ferrari 735 S (#0444MD), que usava um châssis do tipo 501 e um motor do tipo 735, de 4 cilindros e 2,9 litros de capacidade (2941cc). Tal como aconteceu com todos os Tipo 501 (equipados com motores acima de 2 litros de cilindrada), este Ferrari nunca se chamou Monza. Estava equipado com uma carroçaria Pininfarina, ao estilo (em menor dimensão) dos 375MM, estreada a 22 de Maio nas Seis Horas Nocturnas de Bari, caracterizava-se por ter uma frente mais baixa e faróis carenados. Este #0444MD era vermelho e tinha o nariz branco.

Neste Grande Prémio, Vasco Sameiro conseguiu o 12º tempo dos treinos cronometrados, tendo rodado entre os dez primeiros no início da corrida, desistindo depois devido a problemas mecânicos (à 14ªvolta). Fez a sua volta mais rápida na corrida à 12ª volta, com um tempo de 3'11'',82, um tempo superior em cerca de 3 segundos àquele que havia efectuado nesta mesma pista em 1953 e que reflecte bem as dificuldades por que passou durante este evento para afinar o Ferrari. Segundo a reportagem da época do Jornal O Volante (15 de Julho/54), Vasco Sameiro chegou com o Ferrari ao Porto, vindo de Modena, na noite de 25 para 26 de Junho, depois de já ter tido algumas dificuldades com este Ferrari na pista de Modena durante alguns ensaios prévios ao transporte para Portugal. Sameiro, Ângelo Costa (preparador) e Enzo (mecânico da Ferrari destacado para a prova do Porto), tentaram tudo para melhorar a performance do 735S, cujo motor não atingia as rotações desejadas. Enzo concluiu que as falhas no motor poderiam vir de problemas na carburação e, para resolver este problema, resolveu fazer aberturas suplementares na carroçaria do Ferrari (duas em cada carburador) para melhorar a entrada de ar para o motor. Sameiro referiu ao jornal O Volante: "(...) Foi remédio santo. Fizemos a seguir algumas experiências que deram óptimo resultado. O carro já é outro. (...)"
Depois da frustração neste Grande Prémio do Porto, veio a tão esperada vitória: foi a 20 de Fevereiro de 1955, no Grande Prémio do Maracanã no Brasil, tendo ganho brilhantemente essa prova com o nº 3 nas portas do Ferrari 735S #0444MD.
(Foto: Calendário Mabor/Col. Manuel Taboada)


Fernando Mascarenhas utilizou o Ferrari 250MM #0326MM, que cumpria a sua segunda época de competições.
Nesta prova Mascarenhas obteve o 10º tempo dos treinos, batido pelo automóvel idêntico de José Nogueira Pinto e de Mário Valentim. Na corrida rodou normalmente nos dez primeiros, conseguindo, devido sobretudo às desistências ocorridas, um óptimo 4º lugar (igualando curiosamente a sua classificação na corrida de 1953), sendo o primeiro piloto português bem como o melhor classificado dos Ferrari presentes. Cumpriu 41 voltas ao traçado do Porto (a quatro voltas do 1º) no tempo de 2h 15m 55,05s e à média de 134,06Km/h. A sua volta mais rápida foi à 20ª com 3'12'',37, muito aquém da obtida em 1953 (3'05'',89).


José Arroyo Nogueira Pinto terá sido uma das boas surpresas deste Grande Prémio. Com o 250MM #0332MM que tinha utilizado no ano anterior com o sucesso que se conhece (venceu o Grande Prémio de Portugal, nesta mesma pista da Boavista), conseguiu o 5º tempo nos treinos, só suplantado pelos Lancia oficiais e pelo V12 de 4,5 litros de Casimiro de Oliveira. Na corrida, conseguiu rodar entre os primeiros, conseguindo chegar ao 4º lugar, sendo o melhor português. No entanto, um acidente na Circunvalação (à 33ª volta) pôs termo à sua excelente prova. Obteve a sua volta mais rápida na corrida à 10ª volta, com o tempo de 3'04'',91 à média de 144,21Km/h, reduzindo em cerca de trinta centésimos de segundo o tempo obtido nesta mesma pista, ao volante do mesmo automóvel em 1953.


Mário Valentim voltou ao Circuito da Boavista após ter conseguido um óptimo 3º lugar final na corrida do ano passado, ao volante do Ferrari 225S #0198ET. Desta vez, Valentim utilizou um 250MM Spyder Vignale #0274MM (na foto, Valentim logo atrás do Lancia D24 de Villoresi).
O piloto do Rio de Janeiro, que tão bem deu conta de si no I Grande Prémio de Portugal disputado em 1953 neste mesmo Circuito da Boavista, conseguiu o 9º tempo dos treinos e foi o terceiro melhor Ferrari presente. Na corrida, Valentim adoptou o seu habitual ritmo cauteloso mas consistente, o que resultou pois conseguiu o 5º lugar da geral e segundo melhor piloto ao volante de Ferrari. A volta mais rápida do piloto brasileiro foi à 11ª, com o tempo de 3'13'',31 (137,51Km/h), um tempo superior em cerca de meio segundo à sua melhor volta de 1953. Terminou a corrida a 4 voltas do vencedor, com um tempo total de 2h.16m 40,20 à média de 133,33Km/h, ficando a cerca de 45 segundos de Fernando Mascarenhas (4º classificado).


Em 1954, Vasco Sameiro vendeu o 250 MM #0288MM ao piloto brasileiro Francisco Marques, que com ele disputou duas corridas em Portugal. Uma delas foi neste I Grande Prémio do Porto. Nos treinos conseguiu o 13º tempo, logo atrás de Vasco Sameiro. Na corrida terminou em 7º da geral, a 8 voltas do primeiro classificado e com o tempo total de 2h 15m 56,07 à média de 120,97 Km/h. A melhor volta conseguiu-a à 35ª passagem, com um tempo de 3'21'',63 à média de 132,25 Km/h. Por curiosidade, refira-se que com este mesmo Ferrari, Casimiro de Oliveira conseguira na corrida de 1953 o tempo de 3'04'',84, o que demonstra bem a lentidão do brasileiro nesta prova.
(Foto: Revista ACP/Col. Manuel Taboada)


Louis Rosier compareceu neste Grande Prémio com um Ferrari 375GP #002 inscrito pela sua equipa (Ecurie Rosier), um Ferrari que iniciou a sua carreira em 1951 como um monolugar de Fórmula 1, utilizado pela Scuderia Ferrari e com Alberto Ascari ganhou o Grande Prémio de Itália de 1951. Antes de ser vendido a Louis Rosier (em finais de 1951) foi equipado com um motor com 24 velas e pintado de azul, tendo sido utilizado pelo francês em algumas provas de Fórmula Um durante 1952 e 1953. (Em 1952 e 1953 ganhou o Grande Prémio de Albi.) Em finais de 1953, Sergio Scaglietti produziu uma carroçaria Sport que adaptou ao châssis do 375F1 e, nesta configuração, Louis Rosier utilizou-o pela primeira vez nos 1000 Km de Buenos Aires, onde juntamente com Maurice Trintignant conseguiu o 7º lugar final. No I Grande Prémio do Porto, Rosier e o 375GP com o nº4, tiveram uma passagem particularmente discreta, obtendo nos treinos o 15º e penúltimo tempo, para na corrida desistir logo na 2ª volta, perfazendo um tempo total de 3min 45,69 de corrida, com uma melhor volta (a 1ª...) com um tempo de 3'45'',69 à média de 118,15Km/h....
(Foto: Revista ACP/Col. Manuel Taboada)




As "aventuras" de Vasco Sameiro com o Ferrari 735 S #0444MD


(Foto: Arquivo ACP)

Depoimentos feitos por Vasco Sameiro ao jornal “O Volante” de 15 de Julho de 1954

“(...) Em Maio, quando vim do Brasil, fui logo a seguir a Itália, para ver que carro se podia arranjar de melhor. Claro que fui à Ferrari. Falei então com o Comendador Ferrari que me prometeu conseguir a sua máquina mais moderna. – de três litros e quatro cilindros. Era um carro que ainda estava em fabrico. Disse-me que no dia 18 de Junho estaria pronto a tempo, portanto de treinar com ele o bastante antes de entrar na prova do Porto.
(...) Eu podia ter esperado no Porto por ele. Era o que estava combinado. Mas, por uma questão de segurança preferi ir buscá-lo à fábrica. Chegeui lá na manhã do dia 19 de Junho. O carro devia estar pronto. Mas não. Estve lá retido três dias. (...) Só no dia 22 o carro pôde ir à pista de Modena. Fui eu e o ensaiador da fábrica. Mas viu-se que aquilo não estava em ordem. O funcionamento do motor era mau e o tubo de gasolina rebentou durante os ensaios. Voltou o carro para a fábrica e, quando deram novamente como pronto, era já 20.30h. Já não era possível ir à pista experimentá-lo. E foram dadas todas as garantias que o carro estava “au point”.
(..) Tinha um camião desde manhã à espera do carro. Foi met~e-lo dentro e seguir viagem. Mas a marcha do camião era demasiado lenta e eu temia não chegar ao Porto a tempo e horas. Em Narbonne, tirei o carro para a estrada e sentei-me ao volante. (...)
Quando passava das 3000 rpm, o carro trabalhava mal. Mas como as velas que vinham no motor não eram as indicadas eu pensei que fosse uma consequência disso”

Vasco Sameiro chegou na noite de 25 para 26 de Junho, com três noites mal dormidas e o carro sem estar afinado. No sábado, dia 26 de Junho, fez os 1ºs treinos. Mas os problemas revelados em Modena mantinham-se e tanto o mecãnico italiano destacado pela fábrica, Enzo, como o “mago” português, Ângelo Costa, não deram pelo problema.
Apesar de tudo Vasco resolveu participar mesmo sem poder engranar a 4ª velocidade e raramente ultrapassar os 180 Km/h. Desistiu pois não havia mais nada a fazer. Na terça-feira, dia 29 de Junho, levaram uma vez o carro para a Boa-Nova (localidade perto do Porto) para uma última experiência. Enzo, depois de experimentar tudo admitiu que o problema podia estar na carburação. E Vasco compelenta este episódio na sua histórica entervista: “ (...) E, admitindo que a hipótese das entradas de ar eram insuficientes para fazer o motor trabalhar normalmente, resolveu fazer-lhes uns buracos, dois em cada carburador. Foi remedio santo. Fizemos a seguir algumas experiências que deram óptino resultado. O carro já é outro. (...)”



Fotos: Colecção de Augusto Roxo, via Ângelo Pinto da Fonseca.
            Arnold Gilbert, via Carlos Gilbert.
            Colecção do autor.


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IV Grande Prémio de Portugal 
II Circuito Internacional de Lisboa
23 a 25 de Julho


Este Grande Prémio ficou marcado por ter sido a primeira vez que a Scuderia Ferrari esteve presente numa corrida em solo português. Embora inicialmente os pilotos oficiais previstos fossem Froilan Gonzalez e Maurice Trintignant, o piloto francês foi substituído por Mike Hawthorn.

Dia 22 de Julho. O momento em que do avião fretado pelo Automóvel Clube de Portugal são descarregados os Ferrari oficiais presentes neste Grande Prémio. Para além dos automóveis, também viajaram neste avião o piloto Froilan Gonzalez, o director desportivo da Scuderia Ferrari, Nello Ugolini e alguns mecânicos. A Ferrari foi uma das três marcas com presença oficial neste evento, para além da Maserati e da Gordini.
(Foto: Col. Manuel Taboada)


Embora muito commumente chamados de 750 Monza, os Ferrari oficiais usados por José Froilan Gonzalez e Mike Hawthorn no Grande Prémio de Portugal de 1954 disputado no Circuito de Monsanto a 25 de Julho, eram do modelo 750S (#0428MD e #0440MD). Ambos são baseados no chassis tipo 501 (de tubos se secção redonda e equipados com 4 velocidades - transaxle), por oposição à caixa de 5 velocidades e chassis do tipo 510 do 750 Monza de 1955 (tal como o Mondial II). Todos os 501 tem o sufixo MD no nº de chassis.
Uma forma simples de reconhecer o #0428MD do #0440MD é através do flap do reservatório de combustível no flanco do lado direito, este abre para trás no #0440MD e de forma oposta no #0428MD, para além do próprio emblema da Ferrari, que surge no #0440MD mais à frente em relação ao pára-brisas e em linha com este no #0428MD.


O Ferrari 750 S #0440MD de Mike Hawthorn
(Foto: Col. Manuel Taboada)


Os Ferrari presentes

Nº1 - Mário Valentim - 250 MM #0274MM
Nº2 - Sergio Bernardes - 225 S #0180ET
Nº3 - Francisco Marques - 250 MM #0288MM
Nº4 - Froilan Gonzalez - 750 S #0428MD
Nº5 - Mike Hawthorn - 750 S #0440MD
Nº6 - 
Masten Gregory - 375 MM #0370AM
Nº7 - 
Piero Scotti - 375 MM #0360AM

Nº8 - Clemente Biondetti - 250 MM  #0276MM
Nº9 - Casimiro de Oliveira - 375 MM #0366AM
Nº10 - José Arroyo Nogueira Pinto - 250 MM #0332MM
Nº11 - Vasco Sameiro - 735 S #0444MD
Nº12 - Fernando Mascarenhas - 250 MM #0326MM



Os Treinos


Na Sexta Feira, dia 23 de Julho,  foram disputados os primeiros treinos, entre as 18 e as 19 horas. Desde cedo os Ferrari oficiais dominaram, tendo Casimiro de Oliveira feito o sexto tempo. Ausentes neste primeiro dia os Ferrari de Scotti e Biondetti. Froilan Gonzalez fez alguns reparos à organização quanto à segurança do traçado, sugerindo mesmo a colocação de mais alguns sacos de areia e fardos de palha em alguns locais do traçado. No Sábado disputou-se a segunda sessão de treinos, entre as 16h30m e as 17h30m. Froilan Gonzalez primou pela ausência neste treino, dado que, e segundo o regulamento, a ordem de partida era decidida em função do melhor tempo obtido nas duas sessões de treinos, e o piloto Argentino confiante no tempo obtido na véspera, assitiu aos treinos nas bancadas. E a confiança foi plenamente justificada dado que Gonzalez manteve o tempo mais rápido. Casimiro de Oliveira foi apoquentado neste treino por alguns problemas com as válvulas do motor do 375 MM o que fez com que não pudesse melhorar o tempo obtido no dia anterior. A sua melhor volta foi de 2.33.48 (à média de 127,6 km/h) o que lhe deu o oitavo lugar da grelha de partida. Esta teve uma configuração 3-2-3.


Resultados dos treinos de qualificação para a grelha de partida:

1º - Froilan Gonzalez - 2.24,97 / 135,1 Km/h
2º - Mike Hawthorn
3º - Masten Gregory
4º - André Pilette (Gordini)
5º - Vasco Sameiro
------------------------------
8º - Casimiro de Oliveira
9º - Piero Scotti
10º- Nogueira Pinto
11º - Francisco Marques
--------------------------------
14º- Clemente Biondetti
15º- Mário Valentim
16º- Francisco Marques
17º- Fernando Mascarenhas
--------------------------------
20º- Sérgio Bernardes




Nesta foto pode ver-se, na grelha de partida, e em primeiro plano, o Ferrari 750 S de Froilna Gonzalez. Em segundo plano, o 735 S nº11 de Vasco Sameiro e o 375 MM nº9 de Casimiro de Oliveira.
(Foto: Arquivo Boudewijn Berkhoff)


A principal corrida do programa destinada à categoria de carros de Sport acima dos 1500 cm3, teve um total de 60 voltas, a que correspondiam 326 quilómetros e 400 metros a percorrer no Circuito de Monsanto.

Às 17 horas do dia 25 de Julho, com uma assistência de cerca de 50 mil pessoas, o Tenente Coronel Salvação Barreto (Presidente da Câmara Municipal de Lisboa) baixou a bandeira para dar início à corrida, sob o olhar atento de João Ortigão Ramos, o director da corrida. 

O Jaguar de Hamilton foi o mais lesto na largada, surpreendendo Gonzalez. O piloto argentino repôs a normalidade na subida da auto estrada, onde ultrapassou o piloto inglês.

Casimiro de Oliveira fez uma excelente partida e colocou-se na terceira posição. É nesta ordem que os pilotos passam pela primeira vez na recta da meta.
Masten Gregory deixou o motor do 375 MM ir abaixo na partida e só arranca em penúltimo lugar. No final da segunda volta Casimiro surgiu na segunda posição atrás de Gonzalez. Sameiro estava na sétima posição e Nogueira Pinto na nona.
Na 4ª volta Casimiro é ultrapassado por Hawthorn e André Pilette, caindo assim para a quarta posição. Na 9ª volta é ultrapassado por Masten Gregory e cai para o quinto lugar, enquanto que Gonzalez tinha uma vantagem sobre Hawthorn de 5,80 segundos. 
Sameiro seguia em sexto. Fernando de Mascarenhas parou nas boxes à 7ª e à 11ª volta.
Na 13ª volta Gonzalez tinha cerca de dois segundos de vantagem sobre Hawthorn, Casimiro e Sameiro permaneciam no quinto e sexto lugar, respectivamente e em sétimo surgia Nogueira Pinto. Por esta altura, Piero Scotti e Nogueira Pinto mantinham um animado duelo pelo 7º lugar, no entanto um problema no acelerador do 250 MM do piloto português à 15ª volta fê-lo abandonar a corrida.


Mike Hawthorn foi chamado à ultima hora para substituir Maurice Trintignant na equipa de pilotos que compôs a Scuderia Ferrari neste Grande Prémio de Portugal.
(Foto: Manuel Taboada)

Na 20ª volta surgia na frente Froilan Gonzalez, logo seguido de Mike Hawthorn e em 3º Masten Gregory a cerca de dez segundos do comandante da corrida. Gregory mantêm um ritmo notável, e fez a melhor volta da corrida à passagem da 22ª volta. Os três primeiros, Gonzalez, Hawthorn e Gregory, passam a linha de meta separados por menos de um segundo.
Na 23ª volta, Gonzalez tem um ligeiro despiste na Curva da Pimenteira e passa a linha de meta já algo atrasado relativamente a Hawthorn e Gregory. O piloto inglês passou assim para a frente da corrida com Gregory no seu encalço.
Na 25ª volta, o motor do 375 MM de Casimiro de Oliveira começou a aquecer obrigando o piloto a fazer uma passagem pela sua box para colocar água no radiador. 
Na 30ª volta Hawthorn continua a liderar a corrida, com Gragory no 2º lugar e com Froilan Gonzalez a forçar o andamento e a encurtar significativamente a diferença que o separa do piloto americano do 375 MM.
Na 31ª volta, os dois pilotos surgiram juntos na Curva de Caselas, e Gonzalez ensaiou a ultrapassagem, no entanto Gregory defendeu-se, adiando a inevitável ultrapassagem do piloto argentino para a subida da auto estrada. Novamente na frente da corrida, os dois Ferrari oficiais.

Casimiro de Oliveira no 375 MM #0366AM. Tal como na corrida disputada no Circuito da Boavista, em Monsanto não terminou a corrida.
(Foto: Arq. ACP)

Vasco Sameiro, até então o melhor piloto português em prova, abandonou (36ª volta) devido a uma avaria no seu 735 S, e desta forma, Casimiro de Oliveira reassumia o lugar de melhor português ao volante do Ferrari de doze cilindros. Mas, pouco tempo depois, Casimiro abandonou também a corrida, devido a um problema na bomba de gasolina.
Devido a todas estas peripécias, Fernando Mascarenhas ficou como o melhor representante português em prova. Sergio Bernardes abandonou por esta altura a corrida devido a problemas mecânicos relacionados com o sobreaquecimento do motor.

Masten Gregory, no Ferrari 375 MM #0370AM, conseguiu emocionar os espectadores presentes em Monsanto, com uma condução rápida e combativa.
(Foto: Col. Manuel Taboada)


Entretanto, e na luta pelo primeiro lugar, Gonzalez consegue reassumir o comando da corrida (41ª volta) ultrapassando Mike Hawthorn. No entanto, o piloto inglês reagiu, ultrapassando o piloto argentino na 51ª volta. A luta pelo primeiro lugar era particularmente intensa, e o piloto argentino forçou novamente o andamento e ultrapassou novamente Hawthorn. Para se ter uma ideia do empenho que cada um dos pilotos imprimiu à sua corrida, de referir que a volta mais rápida da corrida foi obtida por Gonzalez na 58ª volta, a antepenúltima da corrida.

 José Arroyo Nogueira Pinto efectou aqui a sua nona corrida ao volante do 250 MM #0332MM. 
(Foto: Arq. Manuel Taboada)

Vasco Sameiro prosseguiu nesta corrida a má sorte com o Ferrari 735 S, no entanto o melhor estava para vir, e conseguiria mais tarde até uma vitória internacional ao volante do mesmo automóvel.
(Foto: Col. Manuel Taboada) 

Fernando Mascarenhas acabou por ser o melhor piloto português classificado na corrida.
(Foto: Arq. ACP)

O veterano Clemente Biondetti alinhou nesta corrida com um 250 MM com uma carroçaria desenhada por Alberto Morelli. A 2 de Maio do mesmo ano tinha conseguido terminar as Mil Milhas no 4º lugar com este mesmo Ferrari. Aqui em Monsanto terminou em 7º.
(Foto: Col. Manuel Taboada)

Masten Gregory já antes havia reduzido o seu ritmo de corrida, devido ao facto de ter um dos amortecedores do 375 MM partido.
No final da corrida o ambiente era de festa, dentro e fora da pista. Quando o engº Ribeiro Ferreira colocou a coroa de louros nos ombros de Froilan Gonzalez, este retirou-a e colocou-a sobre Hawthorn, uma espécie de reconhecimento pela forma como o piloto inglês se bateu ao longo da prova.

“Estou contente, claro. O percurso é dos mais difíceis mas as minhas dificuldades consistiram apenas no meu erro. Hawthorn é um grande piloto e dar-lhe avanço é quase fatal. Os Portugueses são muito amáveis e espero voltar uma terceira vez aqui. Quanto à máquina foi excelente, foi na verdade a grande vencedora. Porque quando a máquina não quer, nós nada podemos fazer”. Froilan Gonzalez

 “Fiz tudo quanto podia para vencer. Da máquina não me queixo, foi pendular, mas Gonzalez tem uma experiência que a mim falta ainda conquistar com os anos. Gostei imenso da prova e da minha classificação”. Mike Hawthorn

 “Gonzalez e Hawthorn são dois excelentes corredores. Gostei do circuito que é duro e perigoso e gostei de poder lutar para me manter nos lugares da frente. Creio que podia ter feito melhor se não fora o meu atraso inicial que depois me obrigou a um esforço grande”. Masten Gregory

“Estou satisfeito simplesmente porque me classifiquei. Mas não o estou com a classificação obtida. O carro foi sempre muito irregular, como viram. Mas enfim, manter-se sem me obrigar à desistência já não foi mau. Tenho sincera pena da pouca sorte que perseguiu Casimiro e Sameiro, eu se bateram como puderam”. Fernando Mascarenhas


Classificação Final

1º -Froilan Gonzalez - 60 voltas, 2.26.56,350 (vmr: 2.21,770 / 138,14 Km/h)
2º - Mike Hawthorn
3º - Masten Gregory
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7º - Clemente Biondetti - a 3 voltas
8º - Piero Scotti - a 4 voltas
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10ª - Francisco Marques
11ª - Mário Valentim
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13º - Fernando Mascarenhas - a 9 voltas


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Grande Prémio da Suécia
Skarpnack
4 e 5 de Setembro



Casimiro de Oliveira e o 375 MM #0366AM voltaram à Suécia depois da fantástica vitória obtida em Hedemora em Maio de 1954.

Com o nº36 nos flancos do 375 MM, Casimiro terminou no sétimo lugar da geral, a corrida disputada numa pista de aviação.


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I Prémio Internacional Peña-Rhin
Circuto de Pedralbes 
21 e 23 de Outubro


No arranque para a corrida, na zona de meta instalada na Avenida Diagonal, os dois pilotos portugueses desde logo mostraram bom andamento.
No final da primeira volta Vasco Sameiro (nº28) era sexto e Nogueira Pinto (nº30) sétimo
(Foto: Co. Joan Albert Larrosa)


Como prova complementar ao VII Grande Prémio de Espanha e XII Grande Prémio de Peña-Rhin, disputou-se no dia 23 de Outubro (Sábado) uma corrida destinada aos carros de Sport e em que estiveram presentes Vasco Sameiro com o Ferrari 735 S #0444MD com o nº28, e José Arroyo Nogueira Pinto com o 250 MM #0332MM com o nº30. Embora na lista de inscritos surgisse Fernando Mascarenhas com o seu habitual Ferrari 250 MM #0326MM, o piloto de Lisboa acabou por participar com um Jaguar XK 120 ao volante do qual efectuou somente a  primeira sessão de treinos, para na corrida abandonar logo à nona volta.
A primeira sessão de treinos disputou-se no dia 21 de Outubro e Nogueira Pinto obteve o quinto melhor tempo (2'43'',1) colocando-se Sameiro logo a seguir, com o sexto tempo (2'44'',5). Na segunda sessão de treinos, e apesar de os dois pilotos melhorarem os seus tempos, caíram na classificação, com Nogueira Pinto a ficar com 11º tempo e Sameiro com o 12º.
O circuito de Pedralbes tinha uma extensão de 6316 metros, e os vinte e três concorrentes à corrida de Sport tinham que percorre-lo quarenta vezes, num total de 252,640 Km.
No início da corrida, Vasco Sameiro era 5º e Nogueira Pinto 7º. Na décima sexta volta, Nogueira Pinto iniciou uma luta interessante com Graham Whitehead, com o piloto britânico da Jaguar interposto entre os dois pilotos portugueses. Na 30ª volta, Nogueira Pinto consegue ultrapassar Whitehead, enquanto que Vasco Sameiro ascendeu ao 4º lugar.
No final das 40 voltas da corrida, foram estas as posições finais dos pilotos portugueses.
Vasco Sameiro, 4º classificado (1h 43' 29'', 5) e Nogueira Pinto, 5º classificado (1h 44' 5'',1), os dois com menos uma volta do vencedor, François Picard no Ferrari 735 S #0446MD.